terça-feira, 28 de dezembro de 2010

o caderno

comecei hoje a transcrever apontamentos realizados no caderno desse ano.
usei suas folhas de papel reciclato para registrar as disciplinas do mestrado.
a primeira foi "vicios da paixão". quem já imaginou que uma das primeiras disciplinas teria esse nome e essa ementa: discutir a idéia de vícios da paixão é repor a natureza apaixonada da boa ciência e de uma filosofia encarnada. vício como obstinação, vontade radical, enigma, ardência, não-eu, plenitude, entrega, desejo e linguagem. espera-se com essa abordagem criar um sentido novo par o vocábulo Vício - passando a significar um operador do pensamento do qual não podemos fugir e que opera a pulsão de vida. o conhecimento apaixonado seria assim um vício... em 2010 a abordagem epistemológica do seminário parte das idéias de Merleau-Ponty e Levi-Strauss, sendo ampliada com a experiencia, filosófica e artística de outros autores, criadores de arte e conhecimento.
a avaliação será a produção de um texto a partir do Dossiê Narradores do sensível:
Merleau-Ponty e Levi-Strauss. RevistanCronos, vol. 09, nº 2, jul/dez 2008. o texto, de 5 a 10 páginas, deverá conter as idéias centrais dos pensadores e uma relação com o objeto de pesquisa/paixão das teses e dissertações em curso.
a segunda foi: Metodologia do Ensino Superior, na qual realizei poucas anotações, mas que mesmo a despeito deste fato contribuiui muitíssimo para a ampliação de saberes relativos a prática docente.
a terceira foi "teorias contemporâneas da cultura". na qual também fiz poucos registros, posto ter sido dinamizada pelo fato de termos que apresentar seminários em grupo sobre alguns livros da bibliografia principal da disciplina.
as outras duas disciplinas, tem uma dinâmica propria.são os seminários de dissertação. que na verdade funcionam como momentos de orientação regular.
intermediando um assunto relativo as disciplinas e outro, algumas poesias e comentários sobre leituras que ocorreram intuitivamente.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

bricouler

começei a me apropriar
de bachelard.

hoje encontrei por onde começar.
a terra e os devaneios da vontade: ensaio sobre a imaginação das forças.
pensei em usar como esteio: pedagogia dos sonhos possíveis de paulo freire.
quero que meu trabalho contribua para abrir novas possibilidades na forma de apresentar um trabalho de pesquisa científica.
quero que seja como uma narrativa contada pela própria matéria em devaneio de criar-nos, dizendo ao que destinamos enfim.
( lembrei-me da professora na banca de hoje* relatando sobre a memória que a leitura da tese de joão bosco, lhe proporcionou. fez um parenteses no rigor duro do momento ritual da defesa pública, para contar brevemente sobre a sua vizinha em aguás lindas no ceára, uma aldeia de pescadores da qual a sra. vizinha, nunca saiu.nasceu, cresceu, criou filhos, e segundo ela morrerá e que relata ser o motivo da sua alegria de viver... uma relação prospera de imobilidade. como nos dizeres na entrada da oficina de brennand. 

metáfora e atividade de aprendizagem

voltei a escrever aqui, que foi eleito hoje, o espaço virtual da minha dissertação do mestrado.
comecei escrevendo a libertação de mim mesma para pensar o mundo com potencia de transformação.
o jogo do i-ching, não responde. sugere uma imagem.
trovão em cima, água em baixo.
palavras particulares como recurso expressivo da linguagem estranho ao sistema da língua.
fundamentalmente a metáfora cria e constrói relações.
as metáforas se transformam, mas podem se petrificar e perder o brilho e a sombra de serem realidades prontas a se modificarem por novas metáforas.

domingo, 28 de novembro de 2010

o meio como ponto zero

após tempo de ruminância, volto ao meio como ponto zero.

"Quanto mais pesado é o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais real e verdadeira ela é. Em compensação, a ausência total de fardo leva o ser humano a se tornar mais leve do que o ar, leva-o a voar, a se distanciar da terra, do ser terrestre, a se tornar semi-real, e leva seus movimentos a ser tão livre como insignificantes.



O que escolher então? O peso ou a leveza?"
Renato Kilombola (vulgo Drão)[ apropriação do blogue da camila preta].

aprendamos a escolher.

 do livro" para sair do século XX" de edgard morin, recebi uma chave cognitiva muito importante:  podemos escolher isso E aquilo.
para tanto, é preciso operar a aceitação das mudanças que ocorrem no processo cognitivo de autonomia do ser.
paulo freire, no livro pedagogia da autonomia, nos fala sobre saberes necessários à prática educativa.
por minhas lentes de olhar a existência, viver É uma prática educativa "que envolve a ética, o respeito, a responsabilidade, a liberdade e a consciência da nossa posição no mundo".
farei aqui transposições.

não há vida educativa sem troca - é preciso refletir sobre o que é viver-educar. não existe o eu sem outro eu.

viver exige rigorosidade metódica - viver-ensinar é estar no mundo com curiosidade e disposição para conhece-lo. é preciso dedicação e persistencia para pensar bem.

viver exige pesquisa - pesquisar é estar atento ao conhecimento que se produz. pesquisar é instigar a curiosidade para a renovação do próprio conhecimento.

viver exige respeito aos saberes - é preciso respeitar os saberes tradicionais e ciêntíficos. descortinar o véu que nos faz agir como se fossem saberes opostos, que se anulam ou invalidam. são experiências humanas de produzir conhecimento através de métodos diferentes tanto em procedimentos, aferições e compartilhamento como em linguagem.

viver exige criticidade - é necessário analisar criticamente a produção de conhecimento. sem excessos de racionalidade ou sensibilidade.

viver exige estética e ética - integridade, caráter e responsabilidade, envolver sentir-se decente, digno das pulsões que nos habitam.

viver exige a corporeificação das palavras pelo exemplo -  tem que viver, vivendo. ser o que diz seu próprio verbo.

viver exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação -  é preciso humildade para aceitar culturas, vivências e experiências diferentes. é preciso ser diverso na unidade. tudo muda o tempo todo.

viver exige reflexão crítica sobre a prática - quanto mais assumimos o que somos e como somos, mais nos tornamos adeptos de mudanças e capazes de mudar.

viver exige o reconhecimento e a assunção da identidade cultural - é preciso cultivar espaço para trocas de experiência informais e pessoais de cada um, no sentido de assumirmos o que somos, o que fazemos, pensamos e buscamos como sociedade.

viver exige consciência do inacabamento - nada tem fim, no sentido de estar pronto. há sempre a possibilidade de mudanças.

viver exige reconhecimento de ser condicionado - estar no  mundo e fazer parte dele manifestando sua opinião, mostrando sua presença, seu ponto de vista e saber da importância dele. mesmo a despeito de condicionantes biológicos,sociais,culturais, psico cognitivos...

viver exige respeito à autonomia - liberdade de opiniões, linguagens diversas, posições diferentes. não existe superioridade ou inferioridade. existem posições diferentes que podem dialogar.

viver exige bom senso -  ser coerente, estamos sempre imprimindo nossa visão de mundo através de nosso discurso e atitudes.

viver exige humildade, tolerância e luta em defesa dos direitos de existir - essa luta é tolerante e amorosa, o não cruzar os braços significa diversidade nas estratégias de luta. a revolucão do pensamento também opera transformações.

viver exige apreensão da realidade - o posicionamento competente no lugar que cada vivente ocupa, demanda um saber próprio que se adapta, não é imutável.

viver exige alegria e esperança - fazer o que dá prazer, sem esquecer que no comando das regras estão todos. a alegria e a esperança são portas que se abrem na comunicação.

viver exige a convicção de que a mudança é possível. diria que alimentar a convicção de que as mudanças ocorrem. pensar é já desacomodar-se. intervir na realidade é a mudança.

 viver exige curiosidade -  a curiosidade tem limites, assim como a liberdade. a curiosidade e a liberdade instigam a imaginação e a intuição para aprender.

viver não é uma especificidade humana -

o texto parou por aqui... fiquei sem paciencia de continuar parafraseando paulo freire. penso que até aqui já dá seu recado.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

por uma gênese

está escrito: "no princípio era o verbo". e já me detenho.
merece a palavra valor tão perfeito?
não. é preciso que eu traduza de outra forma.
se ao espírito aprouver valer-me do seu favor insigne,
escrito está: no começo
era o sentido. medita esta linha
e suspende a tua pluma por um momento.
é o sentido que cria e que faz viver?
dizer seria preciso que no princípio
era uma força. um sentimento secreto
em mim se enternece, induzindo-me a prosseguir,
e escrevo - me vem do espírito da intuição -
"no princípio era a ação"...

trecho estraído do livro " a ciência e o imaginário"

retomo hoje a idéia de escrever, aqui, sobre produção de conhecimento.
quando criei este blog, estava procurando informações sobre zigmund bauman.
na época acabara de comprar um livro chamado transgressões convergentes.

este é um livro onde louvamos a transgressão, onde a trasgressão e os transgresores são lidos com verdadeira fruição porque somos convidados por eles a transgredir o cânone, a ignorar o mito, a perguntar o simples e, sobretudo, a nos comover com eles (co-mover, mover-nos com). achemos que talvez seja essa a primeira e última causa do pensar: provocar transgressões, convergir nas margens, voltar e sair com algo parecido a essa liberdade que todos sabem que existe mas que nínguem consegue definir (de-finir, pôr um fim) e que é mais ou menos como a vida.

da apresentação

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

trovão em cima, água em baixo


ou a libertação


o quadragésimo hexagrama do I Ching, chamado "libertação", sugere o final de um processo de estagnação e de problemas em minha vida. tenho a sensação de que uma pressão interna que me acompanhou durante muito tempo, simplesmente cedeu lugar a um sentimento nítido de liberdade. liberdade de mim mesma sobretudo. liberdade de aspectos da minha vida que já estavam superados. percebo que as dificuldades que enfrentei até agora me ofereceram preciosas oportunidades de crescimento.

estou me dando alforria, deixo o que não me serve mais. me perdoei.

começarei do começo.

como uma forte chuva que cai, limpa tudo, purifica o ar e traz consigo uma sensação de frescor.

jogado em 24/01/2009